A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da primeira medicação oral da classe GLP-1 para obesidade no Brasil. A decisão, anunciada na quarta-feira (4), libera uma nova apresentação da semaglutida, que até então estava disponível no país apenas na versão injetável de uso subcutâneo.

Na prática, a novidade amplia as opções de tratamento para adultos com obesidade e para pessoas com sobrepeso associado a comorbidades, sempre como complemento a alimentação saudável e atividade física. A aprovação também abre espaço para que médicos e pacientes avaliem, caso a caso, a possibilidade de usar comprimidos em vez de canetas injetáveis, conforme a bula e a orientação clínica.

O que a Anvisa aprovou

O registro aprovado pela Anvisa é do Wegovy, medicamento à base de semaglutida, agora em versão oral. Segundo o órgão regulador, trata-se do primeiro agonista do hormônio GLP-1 em comprimidos autorizado para esse uso no Brasil.

Essa classe de medicamentos atua em mecanismos relacionados ao apetite e à ingestão alimentar. De acordo com a Anvisa, a semaglutida ajuda na redução do peso corporal e também pode melhorar parâmetros metabólicos ligados à obesidade.

Até esta decisão, a semaglutida para esse fim só podia ser encontrada no país na formulação injetável. Com a nova aprovação, passa a existir uma alternativa por via oral, o que pode facilitar a adesão de parte dos pacientes ao tratamento, desde que haja indicação médica.

Quem pode ser afetado pela mudança

A aprovação interessa principalmente a adultos com obesidade e a adultos com sobrepeso quando há comorbidades associadas. O tratamento, porém, não substitui medidas de rotina recomendadas para o controle da doença, como reeducação alimentar e prática regular de exercícios.

A obesidade é considerada uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Ela está relacionada ao aumento do risco de várias condições de saúde, entre elas:

  • diabetes mellitus tipo 2;
  • hipertensão arterial;
  • dislipidemia;
  • doença cardiovascular;
  • apneia obstrutiva do sono.

Por isso, a chegada de uma nova formulação pode ter impacto tanto no cuidado com o peso quanto no acompanhamento de fatores de risco associados. Ainda assim, a decisão sobre iniciar, trocar ou manter a terapia deve ser individualizada.

Como será o uso do medicamento oral

A nova apresentação aprovada prevê comprimidos de uso diário. O esquema descrito no material da Anvisa é progressivo: o tratamento começa com 1,5 miligrama (mg), avança para 4 mg e 9 mg, até chegar à dose de manutenção recomendada de 25 mg por dia.

Também há uma orientação importante sobre o modo de tomar. O comprimido deve ser ingerido em jejum, com pequena quantidade de água, e a pessoa precisa esperar pelo menos 30 minutos antes de consumir alimentos, bebidas ou outros medicamentos.

Esse tipo de detalhe faz diferença na eficácia do tratamento e na segurança do uso. Por isso, quem receber prescrição deve seguir exatamente a bula e as orientações do profissional de saúde.

  1. Procure avaliação médica para saber se o tratamento é indicado para seu caso.
  2. Confirme a forma correta de uso, incluindo horário, jejum e progressão da dose.
  3. Não altere a dose por conta própria, mesmo que já use medicação para perda de peso.
  4. Mantenha alimentação saudável e atividade física, já que o remédio foi aprovado como complemento dessas medidas.
  5. Acompanhe os canais oficiais e a bula aprovada para informações atualizadas sobre disponibilidade e uso.

O que embasou a aprovação

De acordo com a Anvisa, a principal base para o registro foi o estudo clínico pivotal de fase 3 chamado OASIS 4. A pesquisa avaliou a semaglutida oral na dose de 25 mg em adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a comorbidades.

Os participantes foram acompanhados por 64 semanas. Ao fim desse período, o grupo tratado com a medicação apresentou perda média de peso corporal acima de 13%.

Segundo a agência, o desempenho foi significativamente melhor que o observado no grupo placebo. Além da redução de peso, o tratamento também mostrou melhora em diferentes marcadores de saúde cardiometabólica dos pacientes avaliados.

Esses resultados ajudam a explicar por que a nova formulação foi considerada uma opção terapêutica válida. Ainda assim, remédios dessa classe exigem acompanhamento profissional, porque o tratamento da obesidade costuma ser contínuo e envolve mais de um fator.

O que muda para pacientes e profissionais de saúde

Na avaliação da Anvisa, a chegada da semaglutida oral traz mais flexibilidade terapêutica. Em termos práticos, isso significa que pacientes e médicos passam a contar com mais de uma forma de administração do mesmo princípio ativo para esse tipo de indicação.

O órgão também informou que pode haver transição entre as versões oral e subcutânea quando isso for clinicamente apropriado, conforme as orientações da bula aprovada. Essa possibilidade pode ser útil em situações em que a pessoa tenha dificuldade com injeções ou precise de ajuste no plano terapêutico.

Para o leitor comum, o ponto central é que a aprovação regulatória não significa uso automático para qualquer pessoa que deseje emagrecer. O medicamento tem indicação específica, precisa de prescrição e deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado.

Informações sobre disponibilidade comercial, preço e início efetivo da oferta ao público devem ser acompanhadas nos canais oficiais da fabricante e da Anvisa, além da orientação do médico responsável.

Perguntas frequentes

O remédio oral substitui dieta e exercício?

Não. A aprovação informada pela Anvisa deixa claro que o medicamento é indicado como complemento a uma dieta saudável e à prática de atividade física.

Quem pode usar a semaglutida oral aprovada pela Anvisa?

Segundo o material divulgado, a indicação é para adultos com obesidade e para adultos com sobrepeso associado a comorbidades. A definição sobre uso deve ser feita por profissional de saúde.

Como o comprimido deve ser tomado?

O medicamento deve ser ingerido em jejum, com pequena quantidade de água, esperando-se pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outros medicamentos.

Quem já usa a versão injetável pode trocar pela oral?

A Anvisa informou que a transição entre as formulações oral e subcutânea pode ser feita quando for clinicamente apropriada, conforme as orientações aprovadas em bula. Essa decisão deve ser tomada com acompanhamento médico.