O Brasil pode registrar cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeções apresentadas nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, em um webinário sobre preparação para a próxima temporada da doença. Embora a estimativa não aponte, por ora, uma crise como a observada em 2024, especialistas alertam que o quadro está longe de ser tranquilo e exige planejamento, vigilância e prevenção desde já.
O estudo também traz previsões para chikungunya, outra doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Para o leitor comum, o recado principal é direto: mesmo sem sinal de uma explosão nacional de casos, a dengue continua endêmica no país e pode avançar em alguns estados, especialmente se fatores climáticos agravarem a circulação do mosquito.
O que foi apresentado e por que isso importa
Os dados foram divulgados no webinário Preparação para a temporada de dengue 2027, promovido por instituições como Fundação Oswaldo Cruz, Fundação Getulio Vargas, Mosqlimate e InfoDengue. As projeções integram um relatório elaborado para o Ministério da Saúde por mais de 130 especialistas de oito países.
O trabalho faz parte do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate, iniciativa que reúne equipes de pesquisadores para estimar, de forma aberta e comparável, como a doença pode evoluir no Brasil. Neste ano, a terceira edição do desafio contou com 27 equipes de oito países. No conjunto, foram reunidos 22 modelos, o que, segundo os organizadores, tende a produzir uma estimativa mais confiável do que a dependência de um único modelo isolado.
Na prática, isso é importante porque ajuda gestores públicos a se prepararem antes da alta de casos. As projeções não substituem a vigilância epidemiológica do dia a dia, mas podem orientar a organização da rede de saúde, o reforço de campanhas e a definição de respostas mais rápidas em regiões de maior risco.
Qual é a previsão para dengue em 2027
O modelo conjunto estima cerca de 860 mil casos prováveis de dengue no país em 2027. Há, porém, uma faixa ampla de incerteza: o intervalo apresentado é de 80%, com resultados podendo variar de 560 mil a 1,6 milhão de casos.
Também foi projetado um pico de 40 mil casos em abril de 2027. Segundo os pesquisadores, o cenário desenhado para a próxima temporada se parece com o de 2025 e 2026. Isso significa que, embora a previsão não indique uma epidemia atípica como a de 2024, a dengue deve continuar pressionando a saúde pública.
O alerta faz sentido quando se olha para o histórico recente. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou cerca de 1,66 milhão de casos prováveis de dengue em 2025. Por isso, mesmo uma projeção abaixo desse patamar ainda representa um número elevado de adoecimentos em escala nacional.
Para os especialistas, este é o momento de reforçar a preparação da rede de atendimento e ampliar as ações preventivas, em vez de esperar o aumento dos casos para agir.
Quais estados podem ter aumento e como entra o fator climático
Em relação à temporada anterior, a tendência de alta nos casos prováveis de dengue aparece em Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Nos demais estados, a projeção é de cenário semelhante ou inferior ao período anterior.
Isso não significa, no entanto, que o restante do país esteja livre de preocupação. O relatório destaca que todos os estados devem manter vigilância epidemiológica, porque a circulação do vírus pode se intensificar conforme as condições locais.
Um dos fatores observados é a possibilidade de um super El Niño no verão. Neste ano, três modelos incluíram variáveis climáticas nas previsões, mas os resultados divergiram quanto ao tamanho do impacto e à distribuição geográfica desse efeito. Em outras palavras, o clima pode influenciar a transmissão, mas ainda há incerteza sobre quanto e onde isso pesará mais.
Por esse motivo, os especialistas defendem que o El Niño seja tratado como um gatilho de contingência, e não como base única para definir números. A recomendação é acompanhar modelos de curto prazo e monitorar de perto o comportamento da doença ao longo da temporada.
O que a projeção diz sobre a chikungunya
Além da dengue, os pesquisadores passaram a incluir em 2026 as projeções de chikungunya para os estados brasileiros. A doença também é transmitida pelo Aedes aegypti e pode provocar febre e dores intensas nas articulações.
Para a próxima temporada, a estimativa é de mais de 90 mil casos prováveis no país. Como comparação, foram registrados 127 mil casos na temporada 2024-25 e 76 mil casos em 2025-26.
No recorte regional, a previsão indica aumento no Nordeste, com destaque para Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. Também há expectativa de crescimento nos três estados da Região Sul, em São Paulo, e no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, este último apontado como o estado com maior incidência da doença no país.
Nos demais estados, o cenário projetado é próximo ao da temporada anterior. O Espírito Santo não entrou nas projeções de chikungunya por inconsistências nos dados de notificação, segundo os especialistas.
O que o leitor deve fazer para se proteger
A principal orientação continua sendo evitar criadouros do mosquito e procurar atendimento nos primeiros sintomas. Medidas simples, repetidas de forma contínua, ajudam a reduzir o risco dentro de casa e no entorno.
- Elimine água parada em vasos, pneus, calhas, garrafas, baldes e outros recipientes.
- Verifique a casa com frequência, inclusive quintal, áreas comuns, lajes e ralos.
- Mantenha recipientes cobertos sempre que possível, para impedir o acúmulo de água.
- Fique atento aos sintomas, como febre, dor no corpo e manchas na pele.
- Procure atendimento de saúde ao primeiro sinal de adoecimento, especialmente se os sintomas aparecerem de forma repentina.
- Acompanhe canais oficiais, como o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais, para atualizações sobre a situação local.
Como as projeções trabalham com probabilidades e intervalos de incerteza, a situação pode mudar ao longo dos próximos meses. Por isso, acompanhar comunicados oficiais segue sendo a forma mais segura de saber o que está acontecendo em cada cidade e estado.
Perguntas frequentes
A projeção de 860 mil casos significa que haverá epidemia em 2027?
Não necessariamente. O relatório indica um cenário semelhante ao de 2025 e 2026 e não aponta, neste momento, uma epidemia atípica como a de 2024. Ainda assim, o número projetado é alto e exige atenção da população e dos gestores.
O que quer dizer “caso provável” de dengue?
É uma forma usada na vigilância em saúde para contabilizar notificações compatíveis com a doença dentro dos critérios adotados pelas autoridades sanitárias. O acompanhamento oficial detalha esses registros ao longo da temporada.
Quais estados devem acender o alerta para aumento da dengue?
Segundo a projeção apresentada, há tendência de aumento em Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Mesmo assim, todos os estados devem manter vigilância, porque fatores locais e climáticos podem alterar o cenário.
Onde acompanhar orientações confiáveis sobre dengue e chikungunya?
O leitor pode consultar o Ministério da Saúde e os canais das secretarias estaduais e municipais de saúde. Esses órgãos divulgam orientações de prevenção, sintomas, atendimento e atualizações epidemiológicas.




